Uber é condenado por assédio sexual em caso que pode abrir precedente global
Júri dos EUA responsabiliza Uber por estupro de passageira e determina indenização de R$ 43 milhões. Decisão inédita afeta mais de 3 mil casos similares e pressiona gigante de mobilidade.
Viagem que virou pesadelo: o caso que mudou tudo
Em decisão histórica, um tribunal federal de Phoenix determinou que a Uber é responsável civilmente pelo estupro sofrido por uma passageira durante uma corrida em novembro de 2023. Jaylynn Dean, a vítima, foi agredida sexualmente pelo motorista credenciado à plataforma quando se dirigia a um hotel após desembarcar no aeroporto.
A sentença que abala o Vale do Silício
O júri condenou a empresa a pagar US$ 8.5 milhões (aproximadamente R$ 43 milhões) em danos morais e materiais. O valor extraordinário reflete a gravidade das falhas de segurança identificadas no sistema da companhia:
- Falta de verificação eficiente de antecedentes criminais
- Sistema de emergência insuficiente
- Mecanismos precários para denúncias imediatas
O argumento que não colou: Uber tentou se isentar
A gigante de mobilidade urbana sustentou durante anos que não poderia ser responsabilizada por atos criminosos de motoristas parceiros. Em sua defesa, alegava ser apenas uma intermediária tecnológica entre passageiros e condutores autônomos.
O contra-ataque das vítimas
Advogados das vítimas demonstraram que a Uber:
- Tinha conhecimento prévio de milhares de denúncias de assédio
- Retardou a implementação de recursos de segurança básicos
- Priorizou a expansão do negócio em detrimento da proteção aos usuários
O relatório secreto que virou prova
Documentos internos revelados durante o julgamento mostraram que a empresa já monitorava desde 2019:
- 3.824 denúncias de agressão sexual nos EUA
- 582 casos de estupro confirmados
- Apenas 8% dos motoristas investigados foram banidos
A máquina de algoritmos que falhou
Especialistas em segurança digital testemunharam que a Uber possuía tecnologia capaz de identificar corridas com comportamento suspeito:
- Desvios prolongados de rota
- Paradas não autorizadas
- Velocidade incompatível com o trajeto
Porém, esses sistemas nunca foram plenamente implementados por questões de custo operacional.
Brasil: um mercado crítico sob pressão
No maior mercado latino-americano da Uber, a decisão americana ressoa com força:
- Mais de 900 mil denúncias de violência contra mulheres no transporte
- 17% das brasileiras relatam assédio em aplicativos
- Regulação da ANTT exige botão de pânico desde 2021
O que muda para os usuários brasileiros?
Especialistas nacionais apontam possíveis impactos:
- Pressão por sistemas de verificação biométrica
- Exigência de câmeras internas nos veículos
- Monitoramento em tempo real das corridas
O futuro dos aplicativos de mobilidade
Esta decisão judicial estabelece um precedente jurídico que deve:
- Aumentar custos operacionais com segurança
- Redefinir responsabilidades das plataformas digitais
- Acelerar tecnologias de proteção ao usuário
Novas fronteiras da responsabilidade corporativa
O caso marca uma virada na jurisprudência internacional sobre:
- Limites da economia de plataformas
- Dever de cuidado das big techs
- Proteção de dados sensíveis de usuários
O caminho adiante: segurança versus privacidade
O veredito reacende o debate sobre até que ponto empresas podem monitorar usuários para garantir segurança:
- Gravação automática de áudio durante corridas
- Compartilhamento de localização em tempo real
- Verificação contínua de antecedentes de motoristas
Enquanto isso, milhares de vítimas aguardam nos corredores da Justiça americana uma oportunidade semelhante de ver seu sofrimento reconhecido.






