Anvisa investiga riscos de pancreatite em canetas de emagrecimento
Agência nacional monitora efeitos adversos de medicamentos injetáveis para perda de peso após relatos de inflamação pancreática. Especialistas alertam para importância do acompanhamento médico no uso desses dispositivos.
Regulador brasileiro acende alerta sobre dispositivos de emagrecimento
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) iniciou um monitoramento rigoroso de casos de pancreatite associados ao uso das chamadas 'canetas emagrecedoras'. Esses dispositivos médicos, que se popularizaram nos últimos anos, são utilizados para aplicação de medicamentos injetáveis com efeitos redutores de apetite.
O que são as canetas emagrecedoras?
Tratam-se de dispositivos semelhantes a canetas que contêm medicamentos à base de substâncias como liraglutida e semaglutida. Originalmente desenvolvidos para tratamento de diabetes tipo 2, esses fármacos mostraram efeito colateral interessante na redução de peso, sendo posteriormente adaptados para esse fim.
O mecanismo de ação principal se dá através:
- Retardo do esvaziamento gástrico
- Aumento da sensação de saciedade
- Regulação dos níveis de glicose no sangue
Por que a pancreatite preocupa?
A pancreatite é uma inflamação grave do pâncreas que pode levar a complicações potencialmente fatais. Os sintomas incluem:
- Dor abdominal intensa que irradia para as costas
- Náuseas e vômitos persistentes
- Febre e taquicardia
Segundo o gastroenterologista Dr. Rafael Mendonça, 'embora a incidência seja relativamente baixa, a gravidade potencial exige atenção contínua das autoridades e profissionais de saúde'.
Panorama regulatório e medidas de segurança
A Anvisa está coletando dados de farmacovigilância desde o primeiro semestre de 2025, quando começaram a surgir relatos isolados de eventos adversos. A agência destaca que:
- Todos os medicamentos têm efeitos colaterais potenciais
- O uso deve ser sempre supervisionado por médicos
- Pacientes com histórico de problemas pancreáticos devem ter cuidados especiais
Como funciona a farmacovigilância
O sistema brasileiro de monitoramento de medicamentos opera através de notificações obrigatórias por parte de profissionais de saúde e voluntárias por pacientes. Esses dados são cruzados com informações internacionais para identificar padrões de risco.
Até o momento, a Anvisa registrou 23 casos suspeitos no país, sendo que 8 apresentaram relação temporal consistente com o uso dos medicamentos. A análise completa deve ser concluída até o terceiro trimestre de 2026.
O dilema do emagrecimento rápido
A popularidade desses dispositivos reflete uma busca crescente por soluções imediatas para a obesidade. Dados do Ministério da Saúde indicam que:
- 55% da população brasileira está acima do peso
- O mercado de emagrecedores cresceu 300% entre 2022 e 2025
- As buscas por 'emagrecimento rápido' quadruplicaram nas redes sociais
Especialistas defendem abordagem multifatorial
Nutricionistas e endocrinologistas alertam que nenhum medicamento substitui mudanças no estilo de vida. 'As canetas podem ser ferramentas úteis, mas devem ser parte de um programa completo que inclua reeducação alimentar e atividade física regular', explica a Dra. Fernanda Costa, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia.
Posicionamento das fabricantes
As principais empresas farmacêuticas do segmento emitiram notas reforçando a segurança de seus produtos quando usados conforme as indicações médicas. Elas destacam que:
- Estudos clínicos prévios já identificavam pancreatite como possível efeito raro
- Todas as bulas contêm advertências sobre essa possibilidade
- Mantêm programas contínuos de monitoramento de segurança
Cenário internacional
A European Medicines Agency (EMA) e a Food and Drug Administration (FDA) americana também estão revisando seus protocolos de segurança para essa classe de medicamentos. Na última semana, o Canadá determinou a inclusão de novas advertências nas embalagens.
Orientações para usuários
Enquanto a investigação segue seu curso, especialistas recomendam:
- Não interromper o tratamento sem orientação médica
- Relatar qualquer sintoma incomum ao profissional de saúde
- Manter acompanhamento com exames regulares
- Evitar uso não prescrito ou compra em canais não autorizados
A Anvisa reforça que todos os medicamentos continuam aprovados para uso, mas pede atenção redobrada aos sinais de alerta. 'A regulamentação de saúde existe exatamente para esse tipo de situação - monitorar, avaliar e agir quando necessário para proteger a população', concluiu o diretor de medicamentos da agência.






